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Contadora e supervisor de produção conferindo o estoque de matérias-primas e produtos acabados em um tablet, diante de prateleiras organizadas de um galpão industrial, representando o controle de estoque do Bloco K
Guia de obrigações

Bloco K na indústria: obrigatoriedade, registros e controle de estoque

O guia do Bloco K para a indústria de São José dos Campos e do Vale do Paraíba: o que a escrituração controla, quem é obrigado por regime, CNAE e faturamento, os registros de K100 a K280, a ficha técnica que fecha a produção e os erros que o Fisco cruza.

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por Cláudia Elídia de Araujo Moura
Contadora responsável · CRC 1SP256181
13 de agosto de 2026 · 13 minCompartilharLinkedIn
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O Bloco K é o Livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque em versão digital, dentro da EFD ICMS/IPI. Ele registra quantidades, não valores: estoque, produção e consumo de insumos, mês a mês. Obriga a indústria do regime normal, no Lucro Real ou no Lucro Presumido. O Simples Nacional está dispensado.

O que é o Bloco K e por que ele fala de estoque, não de dinheiro

O Bloco K é a versão digital do antigo Livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque, o velho livro modelo 3. Ele é uma parte da EFD ICMS/IPI, a escrituração fiscal digital que compõe o SPED Fiscal. Em vez de papel, a fábrica hoje transmite esse controle em arquivo, mês a mês.

Aqui está o detalhe que muda tudo: diferente dos outros blocos da escrituração, o Bloco K não fala de dinheiro. Ele fala de quantidades. O que entrou na produção, o que saiu como produto acabado, o que sobrou no estoque e o que se perdeu no caminho. As cifras financeiras não interessam a esse bloco.

A razão é estratégica para o Fisco. Com o Bloco K, a Receita Federal e a Secretaria da Fazenda enxergam o chão de fábrica. Elas cruzam o que a indústria comprou, o que declarou ter produzido e o que vendeu, e conferem se o estoque fecha. Para o polo industrial de São José dos Campos e do Vale do Paraíba, forte em automotivo, aeroespacial e metalurgia, essa escrituração virou rotina de quem está no regime normal.

O que o Bloco K controlaO que a indústria informa
EstoqueO saldo de matéria-prima, produto em elaboração e produto acabado no fim do mês
ProduçãoAs ordens de produção: o que foi fabricado no período
Consumo de insumosQuanto de cada insumo foi usado para produzir
Industrialização por terceirosO que saiu e voltou de quem produz por encomenda
Dica: Pense no Bloco K como a planta do seu estoque na mão do Fisco. Quem trata a escrituração só como obrigação sofre na hora do cruzamento. Quem a trata como controle de gestão usa o mesmo dado para tomar decisão de compra e de produção.
Gestor industrial usando tablet no chão de fábrica · organizar o Bloco K e o controle de estoque da indústria em São José dos Campos

Sua indústria é obrigada? O mapa por regime, CNAE e faturamento

A obrigação do Bloco K não é igual para todo mundo. Ela depende de três coisas: o regime tributário, o CNAE e o faturamento. É a combinação dos três que diz se a sua fábrica entrega, e quanto entrega.

Comece pelo regime, porque ele é o filtro mais importante. O Bloco K vive dentro da EFD ICMS/IPI, que é uma obrigação do regime normal, ou seja, do Lucro Real e do Lucro Presumido. O optante do Simples Nacional não entrega a EFD ICMS/IPI e, por consequência, está dispensado do Bloco K. A própria Receita confirma isso nas perguntas frequentes do SPED. O MEI também fica de fora.

Atenção: Dispensado hoje não quer dizer irrelevante. A indústria de Jacareí que está no Simples e pretende crescer para o Lucro Real vai precisar do controle de estoque organizado desde já. Sem histórico de produção e consumo, a migração de regime começa no escuro e o crédito de insumos fica difícil de provar.

Definido o regime, entram o CNAE e o faturamento. A obrigação alcança os estabelecimentos industriais e os equiparados a indústria, além dos atacadistas de grupos específicos da CNAE, a critério do Fisco. Já o faturamento define o tamanho da escrituração, num calendário escalonado pelo Ajuste SINIEF 25/2016.

Faixa de faturamento anualO que passou a entregarDesde
Igual ou acima de R$300 milhõesSaldos de estoque (K200 e K280) e, escalonada por CNAE, a escrituração completa2017 em diante
Entre R$78 milhões e R$300 milhõesSaldos de estoque (K200 e K280)2018
Abaixo de R$78 milhões, mais atacadistas e equiparadosSaldos de estoque (K200 e K280)2019

Repare na distinção que mais confunde: entregar só os saldos de estoque não é o mesmo que a escrituração completa. Os saldos são a fotografia do estoque no fim do mês. A escrituração completa inclui as ordens de produção, com o que foi produzido e o que foi consumido. As grandes indústrias entraram primeiro na versão completa; as demais começaram pelos saldos, e o Ajuste SINIEF 25/2022 seguiu ampliando a completa por divisão de CNAE ao longo dos anos.

Os registros do Bloco K em português: de K100 a K280

O Bloco K parece um alfabeto de códigos, mas cada registro tem um papel simples. Vale conhecer os principais, porque é a lógica deles que revela onde o erro costuma nascer. O par mais importante é o K230 com o K235: um não vive sem o outro.

RegistroO que guarda
K100Abertura do período de apuração do ICMS e do IPI
K200Estoque escriturado: o saldo de cada item no fim do mês
K220Outras movimentações internas, sem nota fiscal, entre itens
K230Itens produzidos: o que saiu acabado de cada ordem de produção
K235Insumos consumidos naquela produção · anda em par com o K230
K250 e K255Industrialização feita por terceiros e os insumos usados nela
K280Correção de apontamento e estoque escriturado de período anterior

A leitura prática é esta. O K200 é a fotografia do estoque. O K230 e o K235 são o filme da produção: para cada produto que a ordem finaliza no K230, o K235 mostra os insumos que foram gastos para chegar lá. Se a sua fábrica de Caçapava produziu mil peças, o K235 precisa explicar a matéria-prima que essas mil peças consumiram. Quando os dois não casam, o cruzamento acende.

  • Cadastro de itens completo, com matéria-prima, produto em elaboração e acabado.
  • Ficha técnica de consumo específico para cada produto fabricado.
  • Ordens de produção que liguem o que foi produzido ao que foi consumido.
  • Apontamento das perdas normais e anormais do processo.
  • Saldos de estoque conferidos com a contagem física.
Contadora e gestor analisando planilhas de estoque e produção · organizar os registros do Bloco K da indústria

A ficha técnica de produção: o coração do Bloco K

Se existe um documento que sustenta o Bloco K inteiro, é a ficha técnica de produção, também chamada de consumo específico. Ela responde a uma pergunta só: quanto de cada insumo entra em cada produto? É dela que sai o K235, e é ela que faz o consumo declarado bater com o estoque.

Sem ficha técnica confiável, tudo desanda. O K235 informa um consumo que não corresponde à realidade, o saldo de matéria-prima do K200 não fecha, e o sistema do Fisco enxerga a diferença na hora. A ficha técnica errada é a origem silenciosa da maioria das divergências do Bloco K.

E há um bônus que muita indústria não percebe. Essa mesma ficha técnica, que detalha o insumo consumido por produto, é a base para provar o crédito de PIS e Cofins sobre insumos no Lucro Real. Quem organiza o Bloco K com capricho já tem meio caminho andado para capturar crédito com segurança. Um documento, duas funções.

Dica: Comece pela ficha técnica dos produtos que mais giram. É neles que um erro de consumo específico mais distorce o estoque e mais chama a atenção do cruzamento. A fábrica de Taubaté que acerta os campeões de venda primeiro reduz de imediato a maior parte do risco.

Os erros que o Fisco cruza e as penalidades

O Bloco K não é lido por um humano folheando papel. Ele entra num sistema que cruza dados automaticamente. Por isso, os erros que geram autuação são quase sempre os mesmos, e todos nascem de inconsistência entre o que a fábrica declara em lugares diferentes.

Erro comumO que o Fisco cruzaComo evitar
Estoque negativoConsumo maior do que o saldo disponível no K200Conferir saldo antes de apontar consumo
K230 e K235 não casamProdução declarada sem o consumo de insumo correspondenteFechar cada ordem de produção pela ficha técnica
Divergência com o inventárioO saldo do K200 contra o Bloco H (registro H010)Conciliar o Bloco K com o inventário anual
Item sem ficha técnicaProduto no K230 sem consumo específico no K235Cadastrar consumo específico de todo item produzido
Perda não apontadaInsumo que some sem produção nem baixa registradaApontar perdas normais e anormais do processo

A conciliação com o Bloco H merece atenção especial. O H010 é o inventário, a contagem física do estoque, e o saldo do K200 precisa conversar com ele. Quando a contagem de fim de ano não bate com o que a escrituração de produção vinha dizendo, o Fisco tem um sinal claro de que alguma coisa no meio do caminho foi mal informada.

Atenção: Descumprir ou entregar o Bloco K com erro tem preço. Na esfera federal, a Lei 8.218/1991 prevê multas por falta, atraso ou informação incorreta na escrituração digital. Na esfera estadual, o regulamento de ICMS de cada estado, em São Paulo o RICMS, tem penalidades próprias para infrações de livros e documentos fiscais. E o pior custo costuma ser indireto: a inconsistência no Bloco K abre a porta para revisão de ICMS, IPI e até do resultado tributável.
Contadora e gestor industrial apertando as mãos na fábrica · contabilidade especializada em indústria e Bloco K

Bloco K e a Reforma Tributária: o que muda até 2033

Muita indústria pergunta se vale a pena investir no Bloco K às vésperas da Reforma Tributária. A resposta é sim, e por dois motivos. A Lei Complementar 214/2025 cria o IBS e a CBS e extingue o ICMS e o IPI, mas isso não acontece do dia para a noite. A extinção é gradual e vai até 2033.

Enquanto o ICMS e o IPI existirem ao longo da transição, a EFD ICMS/IPI continua sendo entregue e, com ela, o Bloco K segue exigível. Não há janela de folga aqui. Relaxar com o controle de produção agora, apostando que a obrigação vai sumir logo, é o caminho mais curto para uma autuação nos próximos anos.

O segundo motivo é mais estratégico. O novo modelo do IBS e da CBS é de crédito amplo, o chamado crédito financeiro. Nele, a rastreabilidade de estoque e de insumo por produto vale ainda mais, porque é ela que sustenta o crédito. A fábrica de Pindamonhangaba que já domina o Bloco K e a ficha técnica chega ao novo sistema com uma vantagem real, enquanto a concorrência ainda estará organizando a casa.

Dica: Trate o Bloco K como controle de gestão, não como papelada do Fisco. O mesmo dado que evita a glosa hoje orienta a compra de matéria-prima, revela a perda escondida no processo e prepara a indústria de São José dos Campos para o crédito amplo da Reforma. É obrigação que, bem usada, vira caixa.
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Aviso legal: Este conteúdo é informativo e educativo. A legislação é complexa e pode sofrer alterações. Nenhuma decisão deve ser tomada sem a consulta a um contador habilitado e a análise do seu caso específico.

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Cláudia Elídia de Araujo Moura
Contadora responsável · Ação Contábil
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À frente da Ação Contábil, Cláudia Elídia de Araujo Moura acumula mais de 40 anos de carreira contábil no Vale do Paraíba. É a contadora responsável pelo escritório, registrada no Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo sob o número 1SP256181.

Fundada há mais de 19 anos em São José dos Campos, a Ação Contábil é conduzida por Cláudia ao lado de Gabriela Cassal de Araujo Moura, responsável comercial, com uma equipe dedicada à construção civil, ao mercado imobiliário e à indústria.

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